O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de envolvimento em uma trama golpista, terá início no dia 2 de setembro de 2025 e se estenderá até o dia 12 do mesmo mês. A análise será conduzida pela Primeira Turma da Corte, em sessões extraordinárias agendadas para manhã e tarde em alguns dias.

Além de Bolsonaro, outros sete réus — considerados parte do chamado “núcleo 1” — serão julgados por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. As investigações apontam que o grupo teria articulado ações para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até atentados contra autoridades, incluindo o próprio Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, abrirá a primeira sessão apresentando seu relatório. Em seguida, será a vez da Procuradoria-Geral da República expor as acusações, seguida das defesas, antes do início dos votos dos demais ministros. O veredito e eventual sentença devem ser anunciados ainda dentro do período estabelecido.
Se condenado por todos os crimes, Bolsonaro poderá enfrentar penas que, somadas, ultrapassam 40 anos de prisão. Em sua defesa, o ex-presidente afirma que não há provas das acusações e argumenta que a transição de governo ocorreu normalmente, o que descaracterizaria qualquer tentativa de golpe.
O caso gerou forte repercussão internacional. Aliados de Bolsonaro, como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, classificaram o julgamento como “caça às bruxas” e criticaram a atuação do Judiciário brasileiro. Internamente, porém, o STF reforça que o processo seguirá conforme as regras constitucionais, sem interferências externas.
O julgamento é visto como um dos momentos mais marcantes da história política recente do Brasil, com potencial para definir não apenas o destino judicial de Bolsonaro, mas também para reforçar o compromisso do país com a defesa da democracia.
