Cerca de 5 mil mulheres indígenas de todo o Brasil estão reunidas em Brasília para a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, que acontece entre os dias 4 e 6 de agosto de 2025, com o tema “Mulheres Guardiãs do Planeta pela Cura da Terra”. O encontro, realizado no Espaço Cultural Ibero-Americano, marca um momento inédito de escuta, articulação política e valorização das vozes femininas dos povos originários.

A conferência é organizada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em parceria com o Ministério das Mulheres e a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). A iniciativa tem como objetivo ampliar o protagonismo das mulheres indígenas em pautas como território, meio ambiente, saúde, educação e combate à violência, fortalecendo suas lideranças nos espaços de decisão.
Logo no primeiro dia, o clima era de emoção, força e união. Representantes de mais de 100 povos indígenas, vindas de todos os estados e dos seis biomas do país, chegaram com seus cocares, cantos, grafismos e histórias. Os eixos de discussão foram organizados em cinco grandes temas: direito e gestão territorial, emergência climática, violência de gênero, saúde indígena e educação com base em saberes ancestrais.
“Estamos aqui para curar a Terra, curar nossas histórias e fortalecer nosso papel como guardiãs do planeta. Essa conferência é uma semente de esperança para todas as gerações”, disse Puyr Tembé, uma das fundadoras da ANMIGA e atual secretária dos Povos Indígenas do Pará.
A ministra Sônia Guajajara participou da abertura do evento e destacou que o encontro representa um divisor de águas nas políticas públicas voltadas às mulheres indígenas. “Essa é a primeira vez que o Estado brasileiro se abre para ouvir essas mulheres em uma conferência nacional feita por elas e para elas. E o que elas estão dizendo é claro: a defesa dos seus corpos é também a defesa da natureza.”
Além dos debates políticos, o evento também tem um forte componente cultural e espiritual. Danças, rezas, rituais e pinturas corporais ocupam os espaços da conferência, reforçando que a luta indígena é também uma celebração da vida, da ancestralidade e da conexão com a Terra.
Um dos momentos mais impactantes da programação é o chamado júri ancestral, onde as participantes compartilham histórias de violência, invasões, perda de filhos, criminalização e injustiças sofridas em seus territórios. Esses relatos emocionam e dão forma a um documento coletivo que será entregue ao governo federal no encerramento da conferência.
Nesta quarta-feira (6), último dia do evento, será apresentada a Carta das Mulheres Indígenas do Brasil, que reunirá propostas construídas ao longo dos três dias de plenárias. O documento trará reivindicações sobre demarcação de terras, proteção ambiental, acesso à saúde e educação diferenciada, combate ao racismo e à violência, entre outras pautas urgentes.
A 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas é, sem dúvida, um marco para o Brasil. Um encontro de sabedorias antigas com os desafios contemporâneos, onde as vozes femininas indígenas reafirmam que não há justiça climática, social ou territorial sem a presença, o saber e a força das mulheres originárias.
