A taxa de 57% de desaprovação ao desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontada por pesquisas recentes, coloca o Palácio do Planalto em estado de alerta no início do ano eleitoral. Mais do que um dado isolado, o número reflete um desgaste político acumulado e a dificuldade do governo em transformar discurso em percepção positiva junto à maioria da população.
Lula iniciou o terceiro mandato com a promessa de reconstrução institucional, retomada econômica e ampliação de políticas sociais. Apesar de avanços pontuais, a avaliação negativa indica que os resultados concretos ainda não foram suficientemente sentidos no dia a dia do eleitor. Custo de vida elevado, insegurança econômica e falta de perspectivas claras seguem como preocupações centrais.
Avaliação do desempenho pessoal do presidente
| Avaliação do desempenho | Percentual |
|---|---|
| Desaprovam | 57% |
| Aprovam | 34% |
| Não sabem / não responderam | 9% |
Os números mostram que a desaprovação supera com folga a aprovação, cenário que se agrava em segmentos como a classe média urbana, eleitores mais jovens e regiões como Sul e Centro-Oeste. No Nordeste, embora a aprovação ainda seja maior, a vantagem histórica do presidente também apresenta sinais de erosão.
A economia, frequentemente citada pelo governo como trunfo, ainda não se traduziu em alívio perceptível para o consumidor. A inflação de alimentos, o endividamento das famílias e a sensação de estagnação ajudam a explicar por que indicadores macroeconômicos positivos não se convertem automaticamente em apoio político.
Além disso, há um fator simbólico importante: o cansaço com figuras tradicionais da política. Após décadas ocupando posição central no cenário nacional, Lula enfrenta um eleitorado mais fragmentado, menos ideológico e mais pragmático. A insistência em narrativas do passado e a comunicação voltada majoritariamente à base fiel limitam a capacidade de ampliar apoio.
A reprovação de 57% não inviabiliza uma candidatura à reeleição, mas reduz drasticamente a margem de manobra do presidente. Em contextos democráticos, índices semelhantes costumam exigir correções de rumo, maior autocrítica e foco em resultados tangíveis. Ignorar esse sinal pode transformar um alerta estatístico em um revés eleitoral concreto.
