Marina Silva une literatura e luta ambiental em noite histórica em Paraty

A 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) ganhou um dos momentos mais marcantes deste ano com a participação da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Em um Auditório da Matriz completamente lotado, Marina foi ovacionada pelo público ao participar da mesa “O lugar da floresta”, realizada na noite do dia 1º de agosto, com mediação da jornalista Aline Midlej.

Paraty (RJ), 01/08/2025 – A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, participa da 23ª Festa Literária Internacional de Paraty, no Auditório Matriz. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Marina emocionou o público ao compartilhar sua trajetória de superação, relembrando que foi analfabeta até os 16 anos e que aprendeu a importância das histórias ainda criança, através dos cordéis narrados por sua avó. “Eu era analfabeta, mas era PHD em saber narrativo”, disse, reforçando o papel das narrativas populares como forma de resistência e conhecimento.

Durante o encontro, a ministra também recebeu das mãos de Alessandra Sampaio, viúva do jornalista Dom Phillips, o livro póstumo do repórter britânico, assassinado na Amazônia em 2022. A entrega foi marcada por emoção e homenagens silenciosas a todos os defensores da floresta que perderam suas vidas na luta por justiça ambiental.

Além das memórias pessoais, Marina levou à Flip um alerta sobre os riscos enfrentados pelo meio ambiente no cenário político atual. Criticou o Projeto de Lei do Licenciamento Ambiental (PL 2.159/21), classificando-o como um retrocesso que ameaça os esforços de preservação: “Não vamos alcançar as metas climáticas com o licenciamento mutilado”, afirmou.

Ela também celebrou os resultados positivos obtidos nos últimos meses: queda de 46% no desmatamento da Amazônia, 25% no Cerrado e 77% no Pantanal — mesmo com o avanço de 15% do agronegócio. Segundo Marina, esses dados mostram que é possível crescer economicamente sem destruir os biomas.

Outro ponto central da fala foi a urgência de ratificar o Acordo de Escazú no Congresso Nacional. O tratado prevê mecanismos de proteção a defensores ambientais, além de garantir mais transparência e participação social nas decisões ambientais. Marina também reforçou a importância da COP 30, que será sediada em Belém, e cobrou o cumprimento das promessas de financiamento climático internacional: mais de US$ 1,3 trilhão anuais seriam necessários para cumprir metas globais — um contraste com os US$ 5 a 7 trilhões ainda investidos em combustíveis fósseis por ano.

O evento com Marina foi o único da Flip 2025 a contar com detectores de metal e revista de segurança na entrada, medida preventiva que não impediu o clima de acolhimento e escuta atenta por parte do público. O Auditório da Praça, onde o evento foi transmitido simultaneamente, também ficou lotado.

No dia seguinte, Marina continuou sua agenda com uma visita ao Quilombo do Campinho, onde se reuniu com representantes do Fórum de Comunidades Tradicionais. Em pauta, o fortalecimento de políticas públicas para populações indígenas, quilombolas e caiçaras do litoral sul fluminense.

A participação de Marina Silva na Flip reafirmou que a defesa do meio ambiente está diretamente ligada à cultura, à memória e à justiça social. Em Paraty, a ministra não só compartilhou histórias, como também fez história — com uma fala que ecoou a urgência da floresta e a potência da palavra.

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Sou criador de conteúdo amador, natural de São Luís – MA, com origens na Baixada Maranhense. Produzo matérias sobre autismo, inclusão digital, direitos sociais e política, buscando dar visibilidade a temas que fortalecem a cidadania e a diversidade. Minha trajetória também é marcada pela fé, como membro da AD Cristo Vem – Ministério de Madureira, onde participo de eventos e celebrações junto à minha família.

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